Um agente gasta no mínimo 300 euros em fardamento

Posted: 10 de Agosto de 2010 by António Lima in Noticias

Os 21 mil agentes da PSP já gastaram milhares de euros nas fardas de Verão, mas só vão ter o retorno em Outubro, altura em que a comparticipação anual de fardamento, no valor de 150 euros por cada polícia, estará disponível num fundo para o efeito.

O atraso, já reconhecido publicamente pela tutela, fez com que os agentes tenham pago do seu bolso as fardas, desde o início do ano, com algumas peças com novo design como acontece com calças, pólos e casacos.

Foi ontem publicada, em Diário da República, a portaria que aprova o regulamento do fardamento e os uniformes do pessoal com funções policiais da PSP. Segundo apurou o DN com os dois maiores sindicatos da PSP – ASPP/PSP e SPP -, um agente que faz a patrulha, por exemplo, nunca gasta menos de 300 euros em fardamento. E isto apenas num conjunto base, que não é suficiente para o ano inteiro. De acordo com valores apurados pelo DN com fonte sindical da PSP, no fardamento de Inverno um casaco custa 120 euros, umas botas 80 euros, umas calças 30 euros, um pólo 25 euros, uma camisa 20 euros e um boné 10 euros. Tudo junto perfaz 285 euros. No fardamento de Verão muda apenas o tipo de pólo, que é meia manga e o casaco, que não é necessário. “Um agente tem de ter no mínimo quatro peças de cada e todos os anos muda de botas”, lembra o presidente da ASPP, Paulo Rodrigues. António Ramos, presidente do SPP, também salienta que “os gastos superam sempre os 300 euros por causa dos extras necessários”. Extras que incluem o fardamento de cerimónia, por exemplo.

Os agentes da PSP deixaram de receber os cinco euros mensais que eram destinados ao fundo de fardamento. Esse fundo foi extinto e o Ministério da Administração Interna criou, em alternativa, a comparticipação anual de fardamento. O valor anual de 150 euros passará a ser o dobro, ou seja, 300 euros, em 2012. O maior sindicato da polícia não concorda com este modelo. “Quando tentámos negociar com o MAI, objectámos logo a que fosse criado algo parecido com um fundo, o que veio a acontecer. Ou davam o fardamento à polícia, como acontece em outros países, ou os agentes recebiam no salário o dinheiro necessário para a farda”, sublinhou Paulo Rodrigues ao DN.

“Um agente que saia da Escola Prática de Polícia para o serviço não gasta menos de 600 euros em fardamento”, adianta. Para a ASPP/PSP, o melhor modelo seria a verba para fardamento ser transferida para o salário dos agentes, que comprariam as fardas onde queriam. E, assim, “poupava-se em efectivos destacados para a Divisão de Fardamento”, alerta Paulo Rodrigues.

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